6 de março de 2014
4 de janeiro de 2014
30 de novembro de 2013
30 de outubro de 2013
3 de setembro de 2013
18 de maio de 2013
Tempos
Hoje eu tava noiado
do jeito que a vida estava
do jeito que a vida vinha
do jeito que a vida ia estar
ai sai para tomar uma cerva,
pode chamar de breja, gelada, bear or whatever
sai do balcão sentei na mesa pedi uma pizza metade portuguesa
metade calabresa, cortada à francesa
eu tinha certeza, mas pouca nobreza e comecei a viajar:
A vida é difícil para todos, depende do jeito que você encara a dificuldade
Eu vi o clichê, parei os porquês, mas vi utilidade naquela nóia.
E recomecei:
Krishna, Buda, Jesus ou Alá?
Krishna, Buda, Oxum ou Alá?
Parece que esses caras não dão em nada.
Será que vou morrer?
Será que vai dar certo?
Será que vou pro céu ou pro inferno?
Seremos mais discretos?
Ou haja o que hajar? (sic)
Quando o diabo era criança
Lá na pérsia, perto de Passargada
Onde tinha um rei e eu era amigo dele
Ele era amigo meu
Eu não tinha inimigos
Lá pelos idos de 1900 e 2003
Quando tudo parecia mais fácil
16 de maio de 2013
24 de abril de 2013
18 de julho de 2012
Senso de censura
Falta-me um dedo
O dedo que aponta sem medo
Regalo de incrédulo sincrético
Dedo herege, covarde,
Converge à bondade no cerne.
Pai, por quê? Deixastes amputar meu dedo
Indicador que só aprazia fazer o bem, pai.
Apenas verdades e melhoras ostentava
E quando o indicador apontou à cara
A tara pela ganância
A ânsia da mais valia
Valeu-se da truculência e da intolerância
E me calou.
Arrancando, amputando, dilacerando
O querido indicador.
31 de março de 2011
Tempo
19 de fevereiro de 2011
Saltos de Coragem
Minha alma estava mergulhada num universo translúcido de caos e eu nem sabia distinguir minha vida pessoal da profissional. Pelo menos é o que me dizem sempre desde que o Gabriel se foi. Então quando encontrei aqueles castanhos olhos, que a principio não representava nada. Mas nada como aquele hipno olhar, cuja estranheza causou em mim uma sensação dual, pois apresentava-se tão viril e tão imaturo que me deixou ligeiramente fragilizada. Parece que ele sentia, mesmo contra o vento, o perfume afrodisíaco que era expelido como larva de vulcão do meu corpo. Agora... Merda!
Fui àquela droga de lugar para tentar relaxar e esquecer problemas, pensar uma nova carreira e me acontece isso... Essa droga me martiriza e, definitivamente, eu não sei o que fazer. O Gabriel se foi, mas é como se ele estivesse aqui... toda essa culpa... Meu Deus!
Definitivamente – como sempre dizia –, Paula não sabia o que fazer. Tentou, então, esvaziar a cabeça pondo-a entre às mãos enquanto recolhia o ventre à proteção das pernas. Envolta por todo bem-estar dum luxuoso ambiente, sentia-se mal por dentro. Seu interior estava sendo corrompido pela dor da perda e pela culpa de um amor que inocentemente apareceu e a deixou desolada.
Se as pessoas e se ele soubesse pelo que tenho passado todos esses dias, talvez fosse mais fácil. Se ele soubesse que no dia seguinte eu estive lá para provar aquele beijo que me inflamou... Ah! Se ele soubesse que ao invés de sair andando, mantendo a pose e a postura o que eu mais desejava era correr e sumir.
Enquanto a frescura do condicionador de ar a envolvia, o conforto da poltrona à acolhia, o colorido das paredes a projetou num vazio insólito e quando se deu por si havia derramado uma única lagrima. Rapidamente enxugou o rosto e da mesma forma olhou ao redor. Nesse virar de cabeça, ao lado esquerdo, viu uma pintura torneada por uma medieval moldura, levantou-se e se dirigiu, descalça e portando pouca roupa – um baby doll –, à pintura, atravessando um curto espaço na sala pouco iluminada. Parou, coisa de trinta centímetros de distância do quadro e o observou atentamente, observou e torneou a moldura com o indicador percebendo a resposta para seus problemas ali. A imagem materializava-se em rústica, mas magistral mistura de tintas: dois corpos nus, entrelaçados, em tons azuis amarelados, como se fosse apenas um e um corpo estranho abraçando ambos. Agora, já violando a sacralidade da obra de arte, percorria com o dedo as curvas onde ora entendia-se o másculo, outrora a sensibilidade feminina. Correu a imagem sentido a aspereza da textura antiga até chegar ao fim onde jazia escrito: pourquoi Rodin. Sem entender muito do francês, se retirou obtendo uma possível resposta às suas inquietações.
Recolheu-se ao seu pequeno aconchego de reflexões e ali ficou por algum tempo pensando se o que a atormentava eram valores morais, tesão, saudade ou tudo aquilo junto. Levantou-se, pois, e se dirigiu à saída do escritório; abriu a porta e enquanto se retirava do amplíssimo escritório riu-se suavemente, sem saber se por confusão ou desespero, tomou a direção do corredor de quartos. Adentrou o ambiente, abandonando o gélido chão e encontrando a maciez felpuda dum tapete tailandês, buscou o aparelho telefônico em cima dum criado-mudo onde jazia também uma robusta e prateada desert eagle.50. Observando a grave falha recolheu a potentíssima arma e a pôs numa misteriosa bolsa; daquela retirou um móbile phone e sentada sobre uma das pernas com a coluna suportando uma curvatura de berimbal Maria colocou-se a pensar sobre os porquês de tudo aquilo enquanto digitava alguma mensagem no aparelho.
Abriu a bolsa, pegou uma vez mais sua arma, manuseou aqueles dois quilos com extremíssima facilidade. Ponderou e, guardou a belicosa. Levantou-se lentamente do conforto daquela cama, respirou profundamente, externando determinação e se dirigiu a sacada do quarto. Sentiu uma fresca brisa acariciar sua face, no décimo oitavo andar daquele apartamento na parte nobre da capital baiana, olhando à beleza já nostálgica do mar deixou se corpo reclinar sobre a pequena barreira de proteção projetando seu corpo numa queda livre sem voltas.
Segundos depois, Dona Dada, funcionária da casa chega ao local procurando sua patroa, mas enquanto d. Dada lá em cima a procurava, lá em baixo um bolo de gente circundava os farelos humanos daquela linda mulher. Só restava agora a tristeza e uma mensagem no móbile phone: “me desculpem, amos todos vocês!”
2 de fevereiro de 2011
"Coronelismo, enxada e voto."
Quando a coluna de névoa se esvaiu, ele pode ver com os olhos brilhantes e o rosto acariciado por refrescante brisa, a fontinha onde alguns cabritos e bois, e a novilha Rosa Branca pastarem e beberem água ali perto. Além da fonte Junior podia ver uma singela horta, em variados tons de verde mais à esquerda e um lindo e colorido pomar à direita. Observando o pomar, desejou as vermelhas maças que brilhavam, nas organizadas fileiras, como bolinhas numa árvore de natal. Antes de poder contemplar a beleza dos mamoeiros e das flores de maracujá que pendiam da cerca ao lado um forte cheiro de café penetrou-lhes a narina. Aquela sensação rotineira fez Junior tomar uma decisão ousada e quando se deu por si, estava dividido simetricamente pela farpada cerca que o separava do curral e do glorioso pomar, do éden jardim. Mas quando no meio da ousada atitude ecoou um grito:
– Ôoo, Juninho! Vem tomar café menino. Percebendo a demora na resposta, dona Maricota, insistiu com ímpeto, autoridade e força: Junior!
Juninho era um menino magricelo de oito anos com os olhos fundos e a barriga estufada, tinha todos os sintomas de lombrigas diversas. Após o grito, o menino assustado, sem camisa, só de short e de pés descalços estremeceu entre o paralelo farpado que o separava do curral. Balançou e quando tentou recuar o amarelado short enganchou nos arames. Lutou com força até que o shorts ganhou um rasgão. Por sorte não se lascou no farpado. Mas agora sua mãe já estava parada a observá-lo.
– Que é que tu ta fazendo aí menino? Já num disse pra você não atravessar essa cerca? Arrede pra dentro.– Ta mãe. Eu só queria comer uma maçã.– Não quero saber de explicação. Vamos.
Entraram na pequenina casinha, coisa de quatro curtas paredes e três cômodos. As paredes davam sinais de todo o desgaste temporal, pois o mofo corroia-lhes os pés. Na sala um sofá antigo e escrachado, uma máquina de costurar puro ferro que servia de banca para o radinho AM/FM. Na cozinha o fogão a lenha soltava labaredas volumosas que corroíam a madeira e nada mais, além de manchar as ripas corroídas do telhado.
– Come aí que vamos na rua levar a roupa da dona.– Certo. Respondeu cabisbaixo. Mãe, posso fazer uma pergunta?– Mais uma, não é? Pode sim.
Juninho com a curiosidade da infância lança a inocente pergunta: – Porque tem tanta terra lá do lado da casa do doutor Manoel e do nosso lado só tem isso?
– Ora... Ques pergunta são essa, menino? O homem é político, por isso tem tanta riqueza. Além do mais ele nos ajuda dando cesta básica.– Mas, mãe. Eu queria maçãs e aquelas frutas lá do curral. E essas compra que ele da pra nós num instante acaba e ele demora um tempão... um tempão para dar outra.– Ó. Eu vou lhe explicar como a coisa funciona. Um político precisa de votos. Então, o seu Manoel promete a nós que nos beneficia se a gente votar nele. Então nós vota.– E se a gente não votar nele, o que acontece mãe?– Ele não ganha e nós também não ganha. Porque se um político ruim entrar não vai dar cesta básica pra gente e remédio pra gente.– E como é que ele sabe que nós não votou nele?
Um silêncio reticente abateu o ambiente rapidamente.
– E eu sei, ué?– Então, mãe, a gente não pode procurar um político melhor, que da mais coisa pra gente?
Dona Maricota uma senhorita de uns trinta anos, cabelos lisos e penteados, tez clara, mas bronzeada pelo abuso involuntário do sol diário. Linda, mas descuidada e abandonada; achou interessante as reflexões do filho e ponderou enquanto pôs cuscuz num prato plástico azulado e café num caneco de mesma cor para Junior. Ao mesmo tempo recolhe uma xícara num pequeno armário ao lado do forno a lenha e se serve com um menor de café. Dirige-se até a porta dos fundos e senta-se no batente dando leves beliscadas na bebida matinal.
– E eu sei?– Sabe o que mãe?– Eu acho que a gente podia encontrar um político melhor que dá mais coisas pra gente.
Contente com a idéia da mãe, que por ora foi também sua. Juninho sorridente completa:
– É... aí nós pode comer maçã de manhã. E quando é que nós tem que votar, mãe?– Você não votar, menino. Só de maior pode votar, ou então quando você fizer 16 anos, se quiser. A próxima eleição é só em 2012.– Haaa! Pensei que era coisa de todo dia.– Quando for na cidade pergunto às pessoas de lá, que são mais informada, quem são os político melhor que o seu Manoel.– É... aí quando ele vier pedir a senhora pra votar nele a senhora diz que vota, mas que vai querer um bocado de maçã da roça dele e mais um monte de coisas, né mãe?- É Junhinho...
Finda a refeição, o café e a conversa; dona Maricota recolhe o prato do menino e se dirige ao quintal e coloca numa pia de improviso, ao lado pega uma vassoura de folha de rabugem e se dirige ao curtíssimo terreiro para apartar algumas folhas secas trazidas pelo vento da grandessíssima fazenda do Doutor Manoel. Logo atrás dela chegava o menino no encalço. Ele parou e observou a beleza das flores do maracujá que trepavam junto a cerca, observou e observou. De repente um Jeep saia da fazenda lentamente...
– Olha Juninho, não morre mais...
Dona Maricota interrompeu a varredura e parou a observar a passagem do imponente carro do doutor. Juninho correu, a abraçou e enquanto passava o monstro de metal, ambos acenavam sorridentes para o bigodudo político, fazendeiro, coronel que se esvaiu deixando somente poeira para trás.
3 de janeiro de 2011
A vizinha
27 de dezembro de 2010
Um Samba chorado: Pinceladas d‘O Machete.
2 de dezembro de 2010
Agora escreverei com maior frequência, assim espero. Apesar de ficar entediado para escrever, pois estou duro, sem grana para manter a net em casa, o que me dava conforto e relativa criatividade.
No momento, só escrevi um conto, enquanto assistia um seminário...
Breve, postarei algumas coisas novas.
Abraços e obrigado aos que têm frequentado o blog
mesmo sem nada de novo para ler.
O crepúsculo caia e o sol em amarelo avermelhado cortava em feixes de luz as longas folhas elípticas das árvores, formando um luminoso túnel no Parque da Cascata, no ínfimo distrito de Quaquaqua Nhenhenhem.
Eu, como espectador do espetáculo natural, apreciava tudo serenamente; enquanto uma fresca brisa me acometia decidi - com muita dificuldade - caminhar e entrar em contato com os transeuntes além do parque.
Enquanto caminhava pelo túnel de Ipês e Paus Brasis, o sol sutilmente cobria minhas costas esticando largamente minha sombra e o vento acariciava de forma suave a copa das árvores e minha barbuda face; via, assim, o túnel florestal se esvair e uma movimentada zona urbana materializar-se lentamente diante de mim.
Penetrei a zona dubiamente e sem motivações; caminhava, já, entre duas fileiras de prédios modernamente emparelhados onde os últimos raios de sol os riscavam em diagonal. Uma multidão de passantes, no horário de pico, por volta das 18:10, por aí assim, vinham em minha direção. Andar naquela passarela exigia um jogo de malabares corporal excepcional; caminhei, pois, de cabeça baixa, observando vultos e sapatos, ténis, tamancos, alpercatas, raros chinelos, talvez só os meus.
Mais a frente, um grupo de pés descalços me chamou a atenção, era estranhamente novo. Três ou quatro. Dedos empoeirados em cinza e fortes canelas expostas. Diferentes para o ambiente, a muito frequentado por mim. Diferente porque o bairro ao redor do parque era composto e frequentado pela classe dita média alta, ou sei lá o que, empresarial e o parque estava na maioria das vezes ermo. Ao me aproximar, percebi que eram tradicionais hippies, embalados ao som de um violão, às rasgadas falas d'O vampiro doidão.
Em instantes toda a estranheza que o ambiente, naturalmente hostil me causava foi abatida pela alegria desbocada dos quatro viajantes. Ao mesmo tempo em que causava olhares fulminantes de resistência nos jovens empresários.
Então, em meus simples trajes, bem longe da toga terno-gravatesca dos passeantes, acocorei-me, cumprimentei "os caras" e sentei na calçada. Parei então a pensar: para que RG? CPF? Todos esses números de controle? Se a vida é melhor cantada e viajada? Porque sofrer as depressões - o mal do século XXI? Refleti, cantei. Gozei aqueles curtos minutos, três ou cinco, por aí assim; todavia, quando os olhos abri, percebi que estava amarrado a todas aquelas questões feitas a pouco, a uma série de valores morais sempre posto em cheque, mas constantemente vividos.
Levantei, à duras forças, saldei os corteses camaradas e deixei alguns trocados patrocinadores do alimento e da continuação da viajem. Me retirei e retomei minha caminhada hippie, sendo um, dentro dum minúsculo distrito.
24 de agosto de 2010
Beso
Ela permaneceu nos braços fortes de Gomes durante um longo tempo, sem pronunciar uma única palavra. Um beijo longo, profundo, vibrante, elou as duas bocas que se encarnavam com tanto desejo e ansiedade! Não era precisamente um beijo...Era uma coisa estranha, original, como se aquelas duas almas fugissem pelos lábios em contato, desapareciam entrelaçadas, fortemente ligadas, e surgiam de novo no desejo de fazerem das duas bocas uma só boca , daqueles dois corpos, um corpo só. Cachoeira e pico, próximo a se combinarem temporariamente, próximo a erotizarem um ao outro. Um beijo! - CC
13 de agosto de 2010
Wanted!
Mulher!
7 de agosto de 2010
Camuflado

14 de julho de 2010
Eu amor
O amor verdadeiro, o grande amor, o amor não é o que a sociedade reconhece e justifica; não representa um compromisso social e religioso. Ele deve brotar da alma para a alma e de alma para alma, sem tropeçar antes na toga de um juiz ou a batina de um padre, pedófilo ou não. Deve ter a espontaneidade dos aromas e a grandeza dos destinos. Fruto de um olhar, de um sorriso, semente de um beijo, o amor deve ser livre, espontâneo, natural, para ser grande, para ser puro, para ser amor! Ligar um ser a outro pelos laços, ridículamente fúnebres, de duas assinaturas abaixo de um nome é um compromisso estupidamente jurídicos e juridicamente autoritário. Deveria ser......quem sabe um crime? CC
8 de julho de 2010
Números
Sinto falta dos 19, quando sentava na praça com a viola e o vinho. Sinto falta dos 18 quando praceava de skate cima baixo. Falta muito mais dos 15 quando comia tudo, até quando não podia. 16 e 17 sinto mais ainda, mas deixa pra lá. 14 e 15 sinto falta da escola da saudade dos 10, 11 e 12 no qual o 13 foi o ponto alto. Hoje é outro. Não sinto muita falta entre o 5 e o 10, também não lembro muito, mas sinto falta do dog - ainda () sinto falta da goteira e da temporada na roça (goiabeira, mangueira, rio, fonte, mato). Sinto falta. Dos 3 (acredito recordar), 4 e 5 brincando na areia, soltando pipa (com papel de bala, queimado). Sinto falta. Bom mesmo e desesperador foi entre o 19 e o 21. No tempo senti de tudo, exceto falta de alguma coisa. Senti medo, nada, desejo, desejo, desejo, desejo. Desejei tudo que não tinha conseguido anteriormente. Mas desejei tanto que senti medo de desejar. Quase amei. No 22 e 23, amo, elouqueço, padeço. Sinto falta; de tudo que comi, tudo que andei, tudo que corri, mas só agora percebi que não tinha percebido nada, mas eu corri? comi? andei? Não sabia, mas agora sei. No 23 ¹/2 sinto falta de ter vivido tudo exatamente igualzinho de forma diferente.
Os anos se passaram.

